NOTAS DE RODAPÉ

12 de julho, 2016

Nada na natureza possui movimento contínuo ou homogêneo. Há fraturas temporais todo o tempo. O tempo admite razões complexas, marcado não por um transcorrer linear, mas pelas fortes tensões presentes nos nascimentos, nas transformações e nas mortes.

A beleza está vinculada não a formas estáticas, mas a relação entre formas, os vínculos entre dor, medo e feiúra na experiência de metamorfoses formais.

Assim, nos são mais interessantes os adjetivos que correspondam aos domínios do selvagem, do violento, do tortuoso, do imprevisível, do limítrofe.

01 de março, 2016

A internet nos impôs vivermos TEMPOS DE CORROSÃO ACELERADA DAS ILUSÕES. Talvez a ilusão não seja mais possível, esta que desempenhou um papel estrutural na constituição subjetiva da nossa espécie ao longo dos milênios. As implicações de perder este véu tão arduamente tecido são profundas. O impacto sobre a subjetividade estrutural de nossa espécie é tremendo, exatamente porque é estrutural e desabou num espaço de tempo muito curto, quase num soluço. [2].

[2]  Eliane Brum. www.brasil.elpais.com. Todo inocente é um fdp?

Fevereiro, 2016

“O passado não era apenas algo morto a ser dissecado pela análise crítica, mas algo vivo e ainda presente na realidade do dia a dia.”[1]

[1]  COSTA, Emília Viotti da. Da Senzala à Colônia. São Paulo: editora UNESP, 2010.

29 de janeiro, 2016

A união entre duplas polares não significa uma soma apaziguadora de unidades distintas, mas uma fusão bem dentro do espírito humano, possibilitada pela explosão definitiva das dualidades. (Lúcia romano, fragmentos sobre a mulher: livro pontes móveis.)

16 de janeiro, 2016

A HISTÓRIA É ESCRITA POR TODOS.

A história não é uma sedimentação de camadas inertes, em que um fato ou fenômeno histórico se acomoda sob outro, paciente e resignadamente. Mas como pedras movediças, pesados elementos capazes de mover-se, constantemente, e redefinir questões muitas vezes adormecidas, mas nunca mortas. Nesta operação, recusamos a forma linear convencionada que conhecemos, em que os fatos são organizados numa sequência somente cronológica que relaciona causa e efeito. Ao invés disso, Admitimos ciclos, espirais e vetores tridimensionais que se cruzam, se conectam e se articulam em diversas direções, que atravessam e transpõem gerações, séculos, eras, e encontram os dias atuais embebidos e inebriados de passado, assim como observa os dias passados carregados de sementes de futuro.

novembro, 2015

Improvisar é manipular um repertório!

O bailarino é um maestro. Deve ser capaz de orquestrar cada uma das partes do corpo de modo a comporem notas de um instrumento ou instrumentos de uma sinfonia. Deve ser capaz de colocar o corpo a favor de cada um dos repertórios que toca, e é responsável pelo diálogo “harmônico” com os outros instrumentos que escuta à sua volta. Assim, o treinamento corporal tem o intuito de, a partir do exercício prático e do ensaio de seu instrumento – o corpo – o bailarino possa torná-lo afinado aos seus desejos e aos percursos que o trabalho sugere.

Faz parte do treinamento a curiosidade em arriscar-se em busca de novas dinâmicas, novos e diferentes ritmos, andamentos e outros paradigmas culturais diversos de seu convencional. Por isso sempre é bem-vindo novas técnicas, novos estímulos e novos códigos para o movimento.

O corpo se compõe ao redor dos membros que executam as tarefas predeterminadas. O corpo sempre constrói arquiteturas, independente daquelas predeterminadas pelo movimento.

outubro, 2015

MITOLOGIA

A mitologia serve-se do rito para afirmar-se. Não se trata de uma narrativa fixada em um passado arcaico, longínquo, antecessor dos ancestrais. Trata-se de uma existência no presente, através do rito, da narrativa ancestral. Qual o melhor lugar para a ritualização? A arte. A arte relaciona-se com aspectos do religare. Neste sentido, aproxima-se da religião. Sendo rito, A arte é a maneira de provocar a existência do mito.

setembro, 2015

O aspecto físico da dança deve dizer respeito mais à perspectiva quântica do que à perspectiva mecânica. Existem saltos qualitativos – sobretudo no que diz respeito a técnica – que avançam de um estágio a outro sem necessariamente passar por todas as etapas intermediárias.

 

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